Práticas avaliativas dos professores do ensino superior
uma análise crítica de seus impactos na aprendizagem
Palavras-chave:
Práticas de avaliação, Avaliação no ensino superior, Revisão sistemática da literatura, Métodos tradicionais de avaliação, Qualidade das aprendizagensResumo
As investigações sobre a avaliação no ensino superior continuam a ser objeto de interesse acadêmico, com vista a buscar respostas sobre sua efetiva contribuição para melhoria da qualidade dos processos de ensino e das aprendizagens dos estudantes (Mello; Costa Neto, 2020). De acordo com Santos et al. (2022) não há muitos entendimentos sobre o que deve ser a educação superior, suas funções, suas formas, seus objetivos e filosofias e nem tampouco sobre como avaliar. Este caráter ambíguo da acaba por se refletir na instrumentalização da avaliação, através das práticas utilizadas pelos professores que as executam. A partir desse cenário incerto, estabelecemos o seguinte problema de pesquisa que diz respeito a entender quais são as principais práticas avaliativas dos professores do ensino superior, mobilizadas na produção do conhecimento? O estudo que aqui se apresenta constitui um recorte de uma investigação mais ampla e tem como objetivo mapear as práticas de avaliação mais utilizadas pelos professores do ensino superior, destacando tanto as abordagens tradicionais quanto as inovadoras, questionando como elas impactam na aprendizagem dos estudantes e se realmente contribuem para um ensino mais significativo e efetivo. A metodologia utilizada para a revisão sistemática teve como base os trabalhos propostos por Vilela et al. (2017), Xiao e Watson (2019) e Alves et al. (2022), com as devidas adaptações sugeridas por Ramos et al. (2014), de acordo com a variabilidade de etapas do protocolo. As bases de dados online utilizadas foram Scopus, EbscoHost, Scielo e Periódicos da CAPES, por se tratarem de repositórios com garantia de documentos com qualidade de avaliação por agências mundiais. A literatura identifica um conjunto de práticas avaliativas onde destacam-se os testes, provas e exames (conhecidos como modelos tradicionais), trabalho escrito, trabalho individual ou em grupo, atitudes dos estudantes em sala de aula como a participação em discussões e debates, seu interesse pela disciplina, resolução de exercícios, participação nas atividades práticas, elaboração de portfólios, simulações, relatórios e projetos, autoavaliação, avaliação por pares, resenhas, escrita de artigos e/ou revisão, fichamentos, monografias, investigações breves e, apresentação de poster e seminários (Batista; Ibiapina, 2016; Black et al., 2010; Bolzan et al., 2019; Fernandes, 2016; Gurgel; Leite, 2006; Luckesi, 2002; Rawlusyk, 2018; Santos, 2016). Os resultados chamam a atenção para o fato dos professores do ensino superior tenderem a utilizar métodos tradicionais (provas, testes e exames) de avaliação como prática preferencial, limitando-se ao uso de procedimentos classificatórios como mecanismo para aferição do progresso dos estudantes (Batista; Ibiapina, 2016; Garcia, 2009; Luitel, 2022; Mello; Costa Neto, 2020). Constata-se, pois, que as práticas avaliativas identificadas carecem de uma abordagem mais formativa e de significância para as aprendizagens dos estudantes. Como apontam alguns estudos, esta situação pode conduzir a sentimentos de discriminação, seletividade, medo e de pressão, muitas vezes gerados pelo uso do controle e poder exercido pelo professor (Luckesi, 2002; Pereira et al., 2017; Souza, 2012).






