O cortiço e a parcialidade da ciência
Keywords:
Eurocentrismo. Literatura brasileira. Naturalismo. O cortiço.Abstract
O presente artigo irá se debruçar sobre o romance O cortiço (1890) de Aluízio Azevedo, que, enquanto uma obra pertencente ao movimento naturalista, compartilha da pretensão deste por realizar, através do cientificismo europeu de sua época (segunda metade do século XIX), representações objetivas e imparciais da realidade, assim como, criticar aos valores e costumes típicos à sociedade da época. Neste sentido, aponta como objetivo problematizar a suposta imparcialidade do cientificismo incorporado pela obra compreendendo suas respectivas implicações políticas, epistemológicas e ideológicas na maneira com que a obra retrata/representa e critica a sociedade em que estava inserida (a então recém-nascida República Velha). Desse modo, por meio de uma revisão bibliográfica qualitativa, primeiramente, foram elaboradas considerações sobre a relação de uma obra literária com a realidade, com enfoque nas especificidades dessa relação no que diz respeito as obras naturalistas, e, em O cortiço. Em seguida, postulou-se uma análise direta a obra, relacionando como o respectivo contexto socioeconômico, histórico e ideológico em que ela estava inserida, exerceu influência não apenas sobre ela, mas sobre o próprio cientificismo com o qual se esperava alcançar um ideal de representação imparcial. Ao fim destas considerações e postulações, percebeu-se a parcialidade ideológica, principalmente, do eurocentrismo e do racismo nas teorias científicas incorporadas pela obra, e, consequentemente, nela própria; concluindo que a obra, apesar de atentar-se a questões estruturais de problemáticas sociais oriundas da época, não escapou de ser condicionada pelo seu contexto de produção, como também não escapou o cientificismo.






